Tema

Se analisarmos o mundo armados de mente aberta e olhar crítico e se fizermos algumas pesquisas é fácil apercebermo-nos que há muita "coisa" curiosa, difícil de explicar no actual paradigma da ciência.
Investigamos áreas díspares, desde a história antiga à física moderna, passando pela psiquiatria e filosofia.
Comecemos pela percepção. Será que vemos aquilo que esperamos ver? Como fazem os animais para prever catástrofes de modo a protegerem-se? Será que percepcionam algo para além dos nossos sentidos? Ou será que os nossos sentidos também o percepcionam mas nós não tomamos consciência por não estarmos preparados para tal? Os nossos sentidos fazem chegar ao cérebro o estrondoso número de 400 mil milhões de bits por segundo, mas apenas 2 mil chegam ao nosso consciente. O que acontece a tudo o resto? O nosso cérebro trabalha continuamente a tentar criar uma história do mundo para nós, livrando-se de imensa informação "supérflua". Esta selecção baseia-se nas nossas vivências, memórias e emoções. Sim, no fundo vemos aquilo que esperamos ver.
Religião. Fenómeno profundamente controverso. Estará a ciência em conflito com a religião? Ambas são duas abordagens à verdade, são as duas faces da mesma moeda. Se a ciência e o espírito investigam a natureza da realidade ilimitada – e obviamente quanto mais ilimitada é, mais perto da realidade – irão certamente cruzar os seus caminhos. Terá a religião de reformular todos os seus princípios de modo a acompanhar o estrondoso avanço da ciência? Sobreviverá a religião a esta reforma?
Cérebro. Pura biologia e química? É engraçado pensar o quanto o Homem investe na ciência, na tecnologia e o pouco que investe no seu próprio estudo, no estudo da mente humana. O estudo do cérebro é uma área enormemente fascinante, muito divertida de explorar. Se calhar quando compreendermos quase na plenitude o funcionamento do nosso cérebro talvez possamos aplicar esse conhecimento à construção de computadores capazes de fazerem escolhas autonomamente, dotados de sentimentos e emoções, capazes de sonhar e ter uma conversa normal, talvez um dia.
E até onde vai a Teoria Quântica? O que a teoria quântica revelou é tão intrigante que soa mais a ficção científica: as partículas podem estar em dois ou mais sítios ao mesmo tempo. O mesmo “objecto” pode ser uma partícula, localizável num local, ou uma onda, distribuída pelo espaço e pelo tempo.
Einstein disse que nada pode viajar mais depressa do que a velocidade da luz, mas a física quântica demonstrou que partículas subatómicas parecem comunicar instantaneamente sobre qualquer extensão de espaço.
Medicinas alternativas estão "na moda" e algumas já deram provas por milénios, falam-nos em "energias". Surgem histórias de paranormal mesmo vindas da comunidade científica, e muitas delas referem-se também a "energias". Pela teoria quântica apercebemo-nos que quanto mais de perto analisamos a matéria menos material se torna o mundo, no fundo passa a ser constituído por pacotes de energia e informação.
Há metafísica bastante em não pensar em nada, escreveu Caeiro. Nós estamos dispostos a pensar. Estes temas sempre nos despertaram a atenção porém nunca foram explorados no nosso percurso escolar, ou se o foram, não ficámos satisfeitos. Achamos que são importantes na nossa formação pessoal e cívica bem como da população em geral.
Não é difícil fazer grandes questões, mas quando tentamos responder a alguma surgem-nos muitas mais. Talvez encontremos um fio condutor que nos ilumine.
Temos aprendido a não confiar muito no que nos dizem, afinal aquilo que é tomado como verdadeiro muda drasticamente em questão de décadas. Também não descuro nenhuma peça do puzzle pelo simples facto de não encaixar nas que já estão montadas. Gostamos de consultar o nosso eu elevado quanto à validade das observações.

terça-feira, 10 de março de 2009

O Poder Mental e o Autismo


Por Rita Carter, autora de “Mapping the Mind”:

Também você pode, ao que parece, atingir capacidades cerebrais sobre-humanas. Bastará, para tal, desligar uma parte do cérebro. Soa estranho?

O Jaime consegue, em qualquer altura do dia, dizer as horas, com uma precisão de minutos, sem olhar para o relógio. A Luísa consegue medir qualquer objecto com uma acuidade de milímetros lançando um simples olhar sobre o objecto. Já o Duarte fala fluentemente 24 línguas, onde se incluem duas que ele próprio inventou. Extraordinário? Sem dúvida… Mas esquisito? Não, nem por isso. De acordo com uma recente e controversa teoria, você e eu poderíamos fazer o mesmo se, porventura, fossemos capazes de interromper a nossa usual esperteza por alguns momentos.
O Jaime, a Luísa e o Duarte são o que se designa por sábios autistas, pessoas que, embora podendo ter dez em certos testes de inteligência, ou apresentar graves dificuldades de comunicação e interacção com os outros, desenvolvem competências sobre-humanas em áreas específicas, como a música, a arte ou a matemática.
Cerca de um em cada dez autistas tem um qualquer talento realmente invulgar, mas os casos mais prodigiosos até agora registados, desde que esta situação foi detectada, são cerca de cem. Muitos deles são figuras públicas, dado que todos nós nos sentimos fascinados com os seus talentos notáveis.
Ainda não existe uma conclusão incontroversa sobre a causa e processos subjacentes a estes fenómenos. De entre as várias hipóteses até agora aventadas destaca-se uma, recente, que afirma que as competências destes sábios não são exclusivas e únicas, mas antes capacidades latentes em todas as pessoas. Estas capacidades latentes podem, até, ser estimuladas e reveladas através de algumas técnicas já existentes e relativamente simples.
Os psicólogos que exploram esta teoria pensam que estas capacidades resultam de processos cerebrais que ocorrem connosco, em qualquer altura, mas que rapidamente são relegados para um segundo plano de inacção por outros processos cognitivos mais sofisticados de conhecimento conceptual. É este plano mais elevado de conhecimento que normalmente vai preencher a nossa consciência… Quanto às capacidades demonstradas por aqueles sábios, que tratam de forma rudimentar, embora eventualmente mais detalhada e intensa, a informação que subjaz a esse plano conceptual mais elevado, elas são automaticamente remetidas para o inconsciente.
Para os investigadores que desenvolvem essa teoria, a maioria das pessoas avança do processo de tratamento detalhado de todos os factos para a elaboração de sínteses ou conceitos significantes. Quando o cérebro efectua essa transição, já não há forma de voltar atrás e recuperar novamente os processos anteriores. A excepção é a de esses sábios que, devido ao seu autismo, continuam a ter acesso a tais processos pré-conscientes.
Estudando os casos mais frequentes de sobredotados para a matemática, e baseando-se em imagens cerebrais que revelam a actividade inconsciente que ocorre no cérebro antes de um qualquer dado se transformar numa percepção consciente, num pensamento ou numa emoção, estes investigadores concluíram que, por exemplo, uma imagem visual que cai sobre a retina leva cerca de um quarto de segundo a atingir a mente como uma percepção consciente. Antes de chegar a esse ponto de se constituir como uma percepção, essa imagem é desmembrada. Cada um dos seus elementos – cor, forma, movimento, localização – é então identificado separadamente nas áreas especializadas do cérebro para tal fim. De seguida, esses elementos são combinados novamente num padrão que é enviado para a zona cerebral que lhe atribui significado e o reconhece como uma percepção consciente. Normalmente, nenhum de nós tem consciência de todo este processo, e só tomamos conhecimento dessa imagem quando todo o processo detalhado de identificar os seus elementos já foi concluído e a percepção está completamente constituída.
Tal situação é perfeitamente compreensível se tivermos em conta que é esta percepção significante que nos permite decidir e agir correctamente perante as imagens que vamos percepcionando. Se vemos uma cara amiga, sorrimos, se vemos uma cara desagradável, afastamo-nos… Portanto, os cérebros das pessoas normais absorvem todos os pequenos detalhes, processam-nos e extraem um único conceito útil, que se torna consciente pela percepção. Ora, segundo estes investigadores, os sábios autistas não efectuam esta selecção ou síntese e, portanto, eles percepcionam a imagem em todos os seus extraordinariamente detalhados componentes.
Se esta teoria, de Snyder e Mitchell, estiver correcta, será então possível às pessoas normais aprenderem a voltar atrás um passo, para assim tomarem consciência, não apenas de uma versão sintética e útil da impressão complexa original, mas sim de todos os componentes dessa mesma impressão original, tal como o conseguem fazer estes sábios autistas?
Quem responde afirmativamente a esta pergunta é Niels Birbaumer, da Universidade de Tilbingen, na Alemanha, que escreveu no New Scientist que seria possível aceder a processos cognitivos pré-conscientes, facto que já ocorre com algumas pessoas não autistas que, mesmo sem o saberem, conseguiram manter o acesso consciente a esses processos. Birbaumer investigou o caso de um estudante com invulgares capacidades de cálculo e verificou, pelo registo da sua actividade cerebral enquanto efectuava os cálculos, que ele era capaz de evitar, enquanto calculava, a actividade da zona cortical, que está associada ao pensamento conceptual e às sínteses perceptivas que se tornam conscientes. Deste modo, o seu cálculo era feito a um nível cerebral mais baixo, que percepciona detalhadamente os dados elementares.
Esta teoria ainda encontra muitos cépticos que não consideram possível que o processo mental dos sábios esteja presente, embora escondido, em todas as pessoas. A teoria mais comum, pelo contrário, afirma que os dotes extraordinários destes sábios resultam de uma capacidade isolada e altamente desenvolvida que, muito provavelmente, é fruto da actividade de uma área do cérebro também ela excepcionalmente desenvolvida. Nas pessoas normais, que desenvolvem rapidamente a sua actividade cerebral no sentido do chamado “processamento global” – extrair um significado sintético de vários elementos ou impressões – essas áreas e respectivas capacidades não são desenvolvidas e os detalhes concretos de cada percepção são descartados sistematicamente.
Esta ideia de que áreas do cérebro mais desenvolvidas criam capacidades excepcionais para a arte, ou a matemática, ou a música, ganhou alguns adeptos quando se constatou que o cérebro de Einstein, que está cuidadosamente preservado (New Scientist, 26/6/99) apresentava uma área, normalmente associada ao cálculo matemático, excepcionalmente desenvolvida e sem o seccionamento provocado pelos sulcos que, frequentemente, estabelecem os limites dessas áreas funcionais. Perante esta constatação torna-se tentador jogar com a possibilidade de que essa área do cérebro de Einstein, ligada à matemática, tivesse “anexado” neurónios de áreas circundantes, que normalmente estariam dedicados a outras funções, para assim fortalecer a capacidade de cálculo e raciocínio matemáticos.
Mas esta teoria enfrenta uma contrariedade… É que todas as áreas do cérebro sujeitas a actividade intensa tendem a desenvolver-se, pelo que se torna muito difícil decidir se uma área mais desenvolvida é a causa de actividade excepcional, ou o seu efeito.
No entanto, não parece impossível que todas as crianças comecem por perceber o mundo de forma semelhante aos sábios. Umas das incríveis capacidades que as crianças demonstram, logo aos dezoito meses de idade, é a aprendizagem da fala (New Scientist, 21 Agosto, p.36), que não é feita conscientemente. Elas simplesmente aprendem a “saber” quando uma palavra termina e outra começa, tal como outras crianças simplesmente “sabem” a raiz quadrada de um número com seis dígitos. Já os adultos, ao aprenderem uma nova língua, têm de fazer um grande esforço de aprendizagem, não lhes é suficiente imergirem na fala e, tal como as crianças fazem, simplesmente aprender com essa prática. À medida que as crianças crescem, é bem possível que se percam essas capacidades típicas dos sábios, na medida em que se altera o processamento detalhado das impressões elementares para uma percepção mais conceptualizada, cada vez mais sintética e adaptada às necessidades da acção.
As imagens cerebrais de crianças recém-nascidas mostram que a sua actividade mental se reduz à utilização de zonas das quais, em adultos, não temos consciência, mas que registam informação do exterior e reagem a ela provocando desejos, emoções e comportamentos automáticos. No entanto, ao fim de alguns meses a criança já começa a utilizar algumas áreas do córtex que estão associadas ao pensamento consciente e ás percepções. Com o passar do tempo, cada vez mais informação é processada a nível cortical.
Nas crianças autistas, porém, este processo de passagem das áreas inconscientes para o córtex parece ser retardado ou impedido, deixando assim intacto ou activo o processo elementar pré-cortical. Há também registo de casos excepcionais de pessoas que desenvolveram capacidades de sábio de forma surpreendente… Um rapaz de 9 anos passou de estudante vulgar para um génio da mecânica após uma bala lhe ter destruído uma parte do cérebro... O facto de o autismo e as capacidades excepcionais de sábios serem seis vezes mais frequentes em rapazes que em raparigas poderá dever-se à Testosterona, uma vez que esta inibe o desenvolvimento do hemisfério cerebral esquerdo, inibição que é, durante certos períodos do desenvolvimento fetal masculino, uma ocorrência normal, mas que pode alargar-se excessivamente, provocando então um subdesenvolvimento do hemisfério esquerdo e um hiper desenvolvimento do hemisfério direito, factores associados ao autismo e às capacidades de sábios...
Esta teoria também parece ser corroborada pelos casos em que, seja por acidente, como acima se referiu com o caso daquele rapaz de 9 anos, seja por casos de demência, se verificou o surgimento de capacidades de sábios em pessoas que sofreram destruição parcial do hemisfério cerebral esquerdo, destruição essa que terá anulado a inibição que impedia a utilização dessas capacidades. Bruce Miller, da Escola de Medicina de Los Angeles, Universidade da Califórnia, relatou recentemente na revista Neurology, nr 51, p. 978, que cinco pacientes seus desenvolveram extraordinárias capacidade de desenho após terem sofrido lesões no hemisfério esquerdo provocadas pela demência.
Entretanto, Snyder pensa que poderá testar a sua teoria utilizando eléctrodos para acordar o inibido e inconsciente sábio que, segundo ele, todos ocultamos no nosso cérebro. Bastará, através de impulsos magnéticos, conseguir interferir com a actividade normal do cérebro, de forma a “desligar” temporariamente a área cortical da conceptualização. Se a teoria estiver correcta e o processo dos impulsos for eficaz na inibição da área cortical então deverá assistir-se ao irromper na consciência dos processos pré-conscientes dos sábios e… da nossa infância!

terça-feira, 3 de março de 2009

Cérebro Fantástico

O ser humano é constituído por um conjunto de órgãos, organizados em sistemas, com determinadas finalidades que se relacionam entre si e com o meio: sistema respiratório, circulatório, nervoso, endócrino, entre outros.
É engraçado pensar o quanto o Homem investe na ciência, na tecnologia e o pouco que investe no seu próprio estudo, no estudo da mente humana. O estudo do cérebro é uma área enormemente fascinante, muito divertida de explorar. Embora esteja ainda numa fase em que muito falta estudar existem muitas coisas que sabemos. Sabemos que é a estrutura mais complexa do planeta, do nosso universo conhecido. O cérebro comanda e regula todas as actividades do nosso corpo, desde o batimento cardíaco, temperatura, digestão e função sexual até à aprendizagem, memória e emoções.
O cérebro humano é tão complexo que se torna absolutamente difícil compreender a sua fisiologia. Calcula-se que haja mais conexões possíveis num cérebro humano do que átomos no universo inteiro. Mesmo num cérebro pequeno, o trabalho é incrível. Estima-se que para resolver o problema de um pássaro a aterrar num ramo ao vento, o maior supercomputador levaria dias a calcular uma solução, se conseguisse. Este problema poderia ser computacionalmente insolúvel. Mas os cérebros dos pássaros fazem-no a toda a hora, e sem hesitações.
De entre os sistemas constituintes do nosso corpo, destaca-se o sistema nervoso onde o cérebro detém um papel central. É através do sistema nervoso que o organismo estabelece comunicação com o meio exterior, recebendo informação, interpretando-a e reagindo a alterações do meio.
Como todos os outros sistemas, o sistema nervoso é constituído por uma infinidade de pequenas células nervosas a que damos o nome de neurónios.
O cérebro é feito de cerca de 100 mil milhões de neurónios. Para além dos neurónios fazem também parte da constituição do sistema nervoso as células gliais. As células gliais facultam os nutrientes, como o oxigénio e a glicose, que alimentam, isolam e protegem os neurónios. É este tipo de células que controla o desenvolvimento dos neurónios ao longo da vida, determinam quais os neurónios que estão aptos a funcionar correctamente e asseguram a manutenção do ambiente químico que rodeia os neurónios.
Cada neurónio tem entre 1000 a 10 mil sinapses, ou locais onde se ligam a outros neurónios. Estes neurónios usam as ligações para formar redes entre si. Estas células nervosas integradas ou ligadas formam aquilo a que chamamos redes de neurónios. Uma forma simples de ver isto é que cada rede representa um pensamento, uma memória, uma habilidade, uma informação, etc.
Contudo, estas redes não estão sós. Estão todas interligadas, e é essa interligação que forma ideias complexas, memórias e emoções. Por exemplo, a rede para “maçã” não é uma rede simples de neurónios. E uma rede muito maior que se liga a outras redes, tais como as de “vermelho”, “fruto”, “redondo”, “gostoso”, etc. Esta rede está por sua vez ligada a várias outras, de forma a que, quando vemos uma maçã, o córtex visual, que também está ligado, dispara essa rede de forma a dar-lhe a imagem da maçã.
O cérebro humano apresenta características estruturais muito próprias que o distinguem do cérebro dos outros animais. O cérebro é um sistema unitário, que trabalha como um todo, de forma interactiva, caracterizando-se pela sua plasticidade. Esta plasticidade, esta flexibilidade, permite uma adaptação ao meio mais eficaz e mais criativa, permitindo o desenvolvimento de um conjunto de capacidades que os distinguem dos outros animais. A formação do cérebro não resulta de um programa preestabelecido: o meio tem um papel decisivo no desenvolvimento cerebral, antes e após o nascimento. A diferente expressão genética não chega para explicar as diferenças individuais: os efeitos do meio intra-uterino e as experiências ao longo da vida são elementos fundamentais para explicar o processo da individuação.
O cérebro aprende de duas formas principais. A primeira é através de dados factuais, intelectuais que compreendemos e/ou memorizamos. Por exemplo, quando estudamos história decoramos nomes e datas, ou quando lemos Platão tiramos conclusões acerca do seu conceito de governo ideal. Cada nome e data, cada argumento lógico, adiciona redes de neurónios ao cérebro. Quanto mais revirmos a matéria mais firmemente fica estabelecido na memória – porque as redes de neurónios ficam mais fortes.
A segunda forma, e normalmente mais poderosa, que o cérebro tem de aprender é através da experiência.
Independentemente do tipo de método, a aprendizagem consiste essencialmente na integração de neurónios para formar novas redes. Aprender verdadeiramente é construir novas estruturas baseadas em estruturas anteriores.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Inteligência Artificial


“O conceito de Inteligência Artificial relaciona-se com os termos sonho e tecnologia”
No nosso dia-a-dia, ouvimos falar da Inteligência Artificial, mas saberemos nós o que isso significa? Em que medida poderá alterar a nossa forma de vida? Que aplicações práticas tem?
Bem, a Inteligência Artificial é constituída por uma parte científica e por uma parte ligada á engenharia. Enquanto ciência a inteligência artificial procura conhecer/ estudar os fenómenos cognitivos do próprio Homem, compreender no fundo a dinâmica da inteligência. Conhecendo então estes mecanismos de funcionamento da inteligência há a construção de instrumentos capazes de pensar autonomamente de modo a apoiar a inteligência humana.
O objectivo final da Inteligência Artificial passa então pela construção de máquinas inteligentes que pressupõe a existência de estruturas simbólicas (representação), a capacidade de elas poderem raciocinar (procura) e a existência de conhecimentos (matéria prima).
No entanto, a Inteligência Artificial enquanto ciência continua rodeada de uma certa bruma, no sentido em que o homem ainda não possui uma definição suficientemente satisfatória de inteligência e para se compreenderem os processos da inteligência artificial e da representação do conhecimento terão de se dominar os conceitos de inteligência humana e conhecimento.
De uma forma geral, a Inteligência Artificial pressupõe que a máquina possua a capacidade de raciocinar utilizando conceitos complexos, e de perceber o seu meio envolvente.
O desenvolvimento da Inteligência Artificial caminha lado a lado com o desenvolvimento dos computadores na medida em que buscam a aproximação dos conceitos “máquina” e “inteligência” que outrora estavam distantes, uma vez que o termo “inteligência” era exclusivo ao Homem.
Como aplicações práticas temos os programas de jogo de xadrez, programas com a capacidade de fazer escolhas hipotéticas, resolver problemas gerais, tomar decisões e raciocinar em interacção com uma base de dados. Uma outra área em que os esforços se têm redobrado nos últimos anos é a da aprendizagem computacional, a possibilidade de os computadores aprenderem com os erros e de irem actualizando a sua própria informação agindo sobre a mesma. Coloca-se ainda como desafio a criação de programas computacionais reconheçam e reproduzam a língua natural.

Será que algum dia poderemos ter uma conversa com um robô como se de outro humano se tratasse? Será que alguma vez serão conscientes e então poderão sonhar? Há quem defenda que as emoções e a consciência resultam de se atingir um determinado grau de inteligência. Actualmente pensa-se que os computadores sejam mais inteligentes do que uma minhoca e há quem defenda que aumentando consideravelmente a sua complexidade, provavelmente no tempo de um século se tornarão tão inteligentes como um humano.
Os computadores já batem os seres humanos na velocidade de cálculo. Onde eles apresentam enormes deficiências é na criatividade. Um dos pais dos computadores, um inglês chamado Alan Turing, estabeleceu que, no dia em que conseguirmos manter com um computador uma conversa exactamente igual à que teríamos com qualquer outro ser humano, então é porque o computador pensa, é porque o computador tem uma inteligência ao nosso nível.
Muitos cientistas acreditam que o universo está estruturado segundo equações matemáticas e que essas equações, por mais complexas que pareçam, são todas elas resolúveis. Se não se consegue resolver uma equação, isso não se deve ao facto de ela ser irresolúvel, mas às limitações do intelecto humano em resolvê-la. Um dos grandes problemas no desenvolvimento da inteligência dos computadores prende-se no paradoxos referenciais. Temos como exemplo a frase “Eu só digo mentiras”. Se é verdade que eu só digo mentiras, então, tendo dito uma verdade, eu não digo só mentiras. Se a frase é verdadeira, ela própria contém uma contradição dentro de si.
Durante muito tempo, pensou-se que este era um mero problema semântico, resultante das limitações da língua humana. Mas, quando este enunciado foi transposto para uma formulação matemática, a contradição manteve-se. Os matemáticos passaram muito tempo a tentar resolver o problema, sempre na convicção de que ele era resolúvel. Essa ilusão foi desfeita em 1931 por um matemático chamado Kurt Gódel, que formulou dois teoremas, chamados da Incompletude. Os teoremas da Incompletude são considerados um dos maiores feitos intelectuais do século XX. Gódel provou que não existe nenhum procedimento geral que demonstre a coerência da matemática. Há afirmações que são verdadeiras, mas não são demonstráveis dentro do sistema. Esta descoberta teve profundas consequências, ao revelar as limitações da matemática, expondo assim uma subtileza desconhecida na arquitectura do universo.
Os teoremas de Gõdel sugerem que, por mais sofisticados que sejam, os computadores vão sempre enfrentar limitações. Apesar de não conseguir mostrar a coerência de um sistema matemático, o ser humano consegue perceber que muitas afirmações dentro do sistema são verdadeiras. Mas o computador, colocado perante tal contradição irresolúvel, bloqueará.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Fraudes do Paranormal 3


O Espiritismo Moderno
Os vivos só começaram a relacionar-se com os mortos quando duas meninas asseguraram que falavam com eles através de pancadas.
Aconteceu em 31 de Março de 1848, em Hydesville, uma pequena aldeia perto da cidade de Rochester, no Norte do estado de Nova Iorque.
O fenómeno. Na quinta isolada da família Fox, ouviam-se misteriosas pancadas provenientes do quarto onde dormiam o casal e as suas duas filhas menores, Katie (11 anos) e Maggie (nove). O som surgia em resposta a perguntas colocadas pelas meninas e pela mãe. Nessa noite, esta perguntou: "És um espírito?" Ouviram-se três pancadas nítidas e secas, que interpretaram como sendo um "sim": acabava de nascer a comunicação com os mortos. O espírito afirmou chamar-se Charles Brian Rosma; fora em vida vendedor ambulante e pai de cinco filhos. Aparentemente, fora assassinado por um vizinho malvado e enterrado na arrecadação da casa.
A fraude. A notícia espalhou-se rapidamente. A família Fox emigrou para Rochester, onde vivia uma irmã mais velha, Leah, de 35 anos. O espírito de Brian acompanhou-os. Dali, as irmãs Maggie e Katie, sabiamente dirigidas por Leah, iniciaram uma digressão triunfal por todo o país. Por onde passavam, surgiam novos médiums.
A explicação. É esta a origem do espiritismo moderno e assinala o começo das denodadas tentativas para estudar cientificamente os fenómenos paranormais. O absurdo da situação é que se tratou de uma fraude admitida. As meninas queriam apenas assustar a mãe, mas a brincadeira ultrapassou os seus planos. Foi a irmã, Leah, que as obrigou, ao aperceber-se da possibilidade de negócio, a prosseguir com a farsa. Foi o que declarou Margaret Fox numa entrevista publicada pelo New York Herald em 1888: "Vou contar-vos o espiritismo desde a sua verdadeira fundação. Quando isto começou, Katie e eu éramos crianças. Essa velha que é a nossa irmã servia-se de nós nas exibições e as receitas eram para ela." E terminou dizendo: "O espiritismo é, do princípio ao fim, o maior embuste do século." Na noite de 21 de Outubro do mesmo ano, na Academia de Música de Nova Iorque, perante centenas de testemunhas e repórteres de todos os jornais da cidade, Margaret reproduziu as pancadas dos espíritos... ao fazer estalar o dedo grande do pé! As mensagens das almas penadas não eram mais do que estalidos de ossos. Ofendidos, os espíritas lançaram uma campanha contra elas e só se detiveram quando elas se retractaram.

A Cirurgia Psíquica

Afirmam que operam ao introduzir os dedos no interior do corpo do paciente, sem fazer qualquer incisão, e extraem pedaços de carne doente no meio de um abundante derramamento de sangue.
Nas décadas de 1960 e 70, estes curandeiros, maioritariamente filipinos, adquiriram grande fama.
O fenómeno. Diziam poder operar com as mãos nuas e extirpar os tecidos responsáveis pela doença, sem anestesia e sem deixar cicatrizes.
A fraude. Muitos caíram nas mãos dos farsantes depois de verem programas como o que foi transmitido, nos Estados Unidos, pela NBC. Face às críticas, os responsáveis da cadeia de televisão alegaram que nunca teriam imaginado que alguém levasse aquilo a sério. Todavia, o actor britânico Peter Sellers viajou até às Filipinas durante três anos para ser operado por cirurgiões psíquicos e morreu de um ataque cardíaco por ter desobedecido aos seus médicos. Outro que mordeu o anzol foi o actor norte-americano Andy Kaufman. Morreu em 1984, de cancro do pulmão, aos 35 anos. A fama dos vigaristas sofreu um golpe nos anos 80, depois de um dos mais conhecidos, Tony Agpaoa (condenado por fraude nos Estados Unidos), ter morrido de ataque de coração. Nenhum dos seus colegas conseguiu curá-lo.
A explicação. A técnica consiste em manter oculto na palma da mão um saquinho que contém sangue ou um corante e vísceras de animais. A bolsa é rasgada com a unha para a visão do sangue distrair a atenção dos presentes. A ilusão de introduzir a mão no ventre ou no peito do paciente é conseguida dobrando os dedos de forma a que os nós apertem com firmeza essa zona do corpo. O efeito visual é impressionante.

O Santo Sudário
A imagem que surge numa peça de linho de um homem aparentemente crucificado é identificada como Jesus de Nazaré.
O sudário que está guardado em Turim é um dos maiores e mais famosos ícones da Igreja Católica.
O fenómeno. Alega-se que se trata do pano que envolveu Cristo no sepulcro. A prova da tridimensionalidade da imagem, argumento utilizado para defender a sua autenticidade, foi publicada na Applied Optics em 1984. Um homem foi colocado diante de uma cópia do tecido para se medir a distância dos traços em treze pontos, a fim de estabelecer uma correlação entre as manchas do sudário e a forma do corpo.
A fraude. Não foi possível fazer coincidir a figura do rosto e a cabeça com o modelo humano. Alguns pontos distorciam o resultado, pelo que foram eliminados. Como a correlação não funcionava, modificaram os valores de forma a ficarem enquadrados. A olho nu, é possível observar anomalias na anatomia que surge na peça de linho: assimetria facial, um crânio deformado, pernas e tornozelos numa posição impossível. As costas, anormalmente planas, e os braços e dedos, demasiado compridos, são sintomáticos de uma doença do tecido conjuntivo conhecida por "síndroma de Marfan". Além disso, a cabeça sangra de forma irreal, em finos filamentos.
A explicação. Em 1978, o microanalista Walter McCrone estudou amostras do sudário e descobriu, nas presumíveis manchas de sangue, vestígios de pigmentos utilizados por artistas medievais. Por outro lado, o teste de carbono 14 fez os especialistas estimar que o lençol foi feito entre 1260 e 1390, o que coincide exactamente com a primeira aparição da relíquia.

Cinco Grandes Lendas Urbanas

"A única construção humana visível do espaço é a Grande Muralha da China." Nos arquivos da NASA que contêm imagens do nosso planeta captadas pelo vaivém espacial, é possível ver aeroportos, auto-estradas, pontes, barragens... Curiosamente, a Grande Muralha é praticamente invisível, pois foi construída com materiais da mesma cor do solo.
"Apenas utilizamos 10 por cento do cérebro." Este mito serve para demonstrar a existência de poderes mentais. Ninguém usa todo o cérebro em simultâneo, tal como não activamos todos os músculos ao mesmo tempo, mas os scanners revelam que recorremos a toda a massa cinzenta ao longo do dia.
"As unhas e os pêlos dos mortos continuam a crescer." Trata-se de uma ilusão óptica. Depois da morte, a pele retrai-se e deixa à vista a parte interna das unhas e dos pêlos. Para evitar esse efeito, as agências funerárias recorrem a cremes que aplicam nos cadáveres.
"Num lavabo do hemisfério sul, a água gira em sentido contrário." E habitualmente utilizado como exemplo da força de Coriolis, que surge quando o observador se encontra num sistema rotativo, como o da Terra. Todavia, essa força só é perceptível a grandes distâncias e durante longos períodos de tempo, pelo deve ser tomada em consideração quando se decide o rumo de voos intercontinentais, e não nos lavabos (nem, já agora, nos copos).
"Há um rosto esculpido em Marte." Desde que foi descoberto o rosto marciano nas fotos captadas, em 1976, pela missão Viking, muitos postularam a existência de civilizações desconhecidas no Planeta Vermelho. Os planetólogos defendem que se trata de um jogo de luz e sombras, aliada à nossa tendência para observar padrões, como acontece com as formas que vemos nas nuvens. As missões posteriores enviadas a Marte demonstraram que, se a montanha for fotografada com o Sol numa posição diferente no céu, a cara desaparece.